Guia por país
Currículo para Portugal: o que muda em relação ao currículo brasileiro
A língua é a mesma, mas o currículo que funciona em São Paulo não é exatamente o que um recrutador de Lisboa espera. Veja o que adaptar: foto, dados pessoais, vocabulário, diploma e visto.
Como fazer um currículo para trabalhar em Portugal?
Use 1 a 2 páginas em ordem cronológica inversa e coloque as maiores realizações na metade de cima da primeira página. Indique cidade e país em vez da morada completa, e considere uma fotografia profissional, que em Portugal é muitas vezes valorizada. Separe educação e formação profissional, use o vocabulário português e deixe documentos e certificados para depois.[1]
Brasil x Portugal: o que muda no currículo
| Tema | Usual em Portugal |
|---|---|
| Nome do documento | Fala-se mais em CV; a carta que acompanha é a carta de candidatura. |
| Tamanho | 1 a 2 páginas, com o essencial na metade superior da primeira. |
| Ordem | Cronológica inversa; modelos funcional e infográfico são cada vez mais usados. |
| Foto | Muitas vezes valorizada. No Brasil, a orientação pública costuma ser não incluir. |
| Localização | Cidade e país, não a morada completa. |
| Documentos | Nada de CPF, RG, NIF ou NISS no currículo; os certificados só são pedidos mais tarde. |
| Formação | Educação (grau mais alto) separada da formação profissional (cursos, estágios, Ordem). |
| Datas | Mês e ano em cada experiência (03/2022 – presente). |
| Carta | Curta, no máximo uma página A4, e cada vez mais substituída pelo texto do e-mail. |
| Europass | Editor gratuito da UE em 31 línguas, útil se você também se candidata a outros países. |
Vocabulário: as palavras que entregam um currículo "brasileiro"
Um recrutador português entende o português do Brasil, mas os termos locais mostram que você conhece o mercado.
| No Brasil | Em Portugal | Onde aparece |
|---|---|---|
| Celular | Telemóvel | Dados de contacto |
| Endereço | Morada (no CV, só cidade e país) | Dados de contacto |
| Carta de apresentação | Carta de candidatura | Candidatura |
| Carteira de motorista (CNH) | Carta de condução | Outros conhecimentos |
| Conselho profissional (CREA, OAB, CRM) | Inscrição na Ordem profissional | Formação profissional |
| Ensino médio | Ensino secundário | Educação |
| Equipe | Equipa | Experiência |
Estágio se diz igual nos dois países e entra na formação profissional.
Estrutura do CV português
Segundo o EURES, a rede europeia de emprego, o CV português tem em geral 1 a 2 páginas, segue a ordem cronológica inversa e deve trazer as maiores realizações na metade superior da primeira página. São seis blocos: dados pessoais; experiência; educação (o nível mais alto concluído); formação profissional, à parte, com cursos, estágios e inscrição na Ordem; outros conhecimentos, como línguas, informática e carta de condução; e, opcionalmente, interesses e voluntariado.
Nos dados de contacto, o EURES sugere incluir LinkedIn ou portfólio quando forem relevantes e os meios para uma entrevista online. A orientação geral de como fazer um currículo vale para os dois países; aqui ficam só as adaptações.[1]
Foto e dados pessoais: o que muda e o que diz a lei
No Brasil, a Prefeitura de São Paulo recomenda evitar foto e não citar RG, CPF ou carteira de habilitação no currículo. Em Portugal, o EURES diz que a inclusão de fotografia é muitas vezes valorizada. Não é obrigatória, mas vale considerar uma foto profissional e recente. Se não tiver uma, o gerador de fotos profissionais com IA cria um retrato a partir das suas selfies.
Os números de documento continuam fora do currículo. O NIF (número de contribuinte) é necessário para fazer contratos e abrir conta bancária, e qualquer pessoa, residente ou não, pode pedi-lo; você vai precisar dele na contratação, não na candidatura.
O artigo 17.º do Código do Trabalho proíbe o empregador de exigir informações sobre a vida privada, salvo quando estritamente necessárias para avaliar a aptidão para a função e com fundamentação por escrito, e sobre saúde ou gravidez, salvo quando a natureza da atividade o justifique. Os artigos 24.º e 25.º garantem igualdade no acesso ao emprego e proíbem discriminação em razão, entre outros fatores, de nacionalidade, território de origem, língua, idade, sexo e estado civil, inclusive em decisões tomadas por algoritmos ou sistemas de inteligência artificial.[1][2][3][5]
Exemplo de estrutura: CV de um brasileiro para Portugal
Um esqueleto de uma página com dados fictícios.
Dados pessoais
[Nome Sobrenome]
Porto, Portugal · +351 9xx xxx xxx · seu-nome@example.com
linkedin.com/in/seu-nome · disponível para entrevista online
Perfil
Analista financeira com cinco anos em contas a pagar e fecho mensal, habituada a SAP e a equipas multinacionais.
Experiência profissional
03/2021 – presente · Analista Financeira, [Empresa], São Paulo (Brasil) · setor de logística
· Reorganizei o controlo de pagamentos a fornecedores e reduzi atrasos no fecho mensal
02/2019 – 02/2021 · Assistente Financeira, [Empresa], Campinas (Brasil)
Educação
2018 · Bacharelado em Ciências Contábeis, [Universidade], Brasil (reconhecimento em Portugal: em curso)
Formação profissional
2022 · Curso de IFRS, [Instituição], 60 horas
2017 · Estágio em contabilidade, [Empresa], 12 meses
Outros conhecimentos
Português (nativo) · Inglês (C1) · Espanhol (B1)
SAP FI, Excel avançado · Carta de condução B
Exemplo fictício, não é uma pessoa real
Os dados são ilustrativos.
Seu diploma brasileiro: como apresentar e reconhecer
No CV, mantenha o nome original do curso (bacharelado, licenciatura, tecnólogo) com a instituição e o ano. Os graus portugueses são licenciado, mestre e doutor, além do diploma de técnico superior profissional. Se já tiver o reconhecimento, acrescente o grau português correspondente.
O reconhecimento dá validade legal em Portugal a um diploma estrangeiro de ensino superior e pode ser necessário para apresentar a qualificação a um empregador. O regime está no Decreto-Lei n.º 66/2018, e o Instituto para o Ensino Superior (IES, antiga DGES) descreve três modalidades: automático, para graus que constam de uma lista aprovada; de nível, quando basta o nível académico (por exemplo, licenciado); e específico, numa área determinada, com análise por júri. O reconhecimento académico e o profissional são procedimentos diferentes: numa profissão regulamentada, confirme também os requisitos da autoridade competente.[1][4]
Como adaptar o seu currículo brasileiro para Portugal em 6 passos
Parta do currículo que você já tem: é mais ajuste do que reescrita.
- 01
Troque a localização
No lugar do endereço completo, escreva a cidade e o país onde está. Acrescente o indicativo +55 ou +351 ao telefone.
- 02
Decida sobre a foto
Em Portugal a fotografia é muitas vezes valorizada. Se incluir, use uma foto profissional e recente.
- 03
Separe educação e formação profissional
Graduação e pós em educação; cursos, estágios e inscrição em conselho ou Ordem em formação profissional.
- 04
Ajuste o vocabulário
Telemóvel, equipa, carta de condução, ensino secundário.
- 05
Explique o diploma
Nome original, instituição e ano; se tiver reconhecimento, o grau português correspondente.
- 06
Revise e envie
Passe o CV na análise gratuita de currículo, exporte em PDF e escreva um e-mail curto para a vaga.
Modelos que funcionam em Portugal
Todos funcionam com ou sem foto e deixam o essencial no topo da primeira página. Veja todos na galeria de modelos ou leia como escolher um modelo de currículo.

Profile
Foto redonda ao lado do nome: a forma mais simples de incluir a fotografia que os recrutadores portugueses muitas vezes valorizam.

European
Foto tipo passe e títulos de seção em destaque, sóbrio para setores mais formais.

Lumen
Foto, ícones de contacto e uma linha de carreira, próximo do estilo infográfico usado por candidatos mais jovens.

Contemporary
Sem foto e com títulos claros, para formulários online e empresas internacionais.
Candidatura, entrevista e onde procurar vagas
A carta de candidatura é curta e simples, nunca mais que uma página A4, e deve mostrar com palavras-chave a relação entre a sua experiência e o perfil pedido. O EURES nota que ela é cada vez mais substituída pelo próprio texto do e-mail, e que os formulários de candidatura online são muito usados. Cópias de certificados só são pedidas mais tarde, no recrutamento propriamente dito. A entrevista é a principal técnica de seleção.
O IEFP, serviço público de emprego de Portugal continental, permite registrar no portal iefponline uma ou mais versões do seu CV. O EURES lista também bolsas privadas como Net-Empregos, Indeed, Landing.jobs e ITJobs.[1][8]
Antes de se mudar: documentos e visto
O EURES recomenda levar comprovantes da experiência profissional e da formação académica e profissional, de preferência traduzidos para português.
Quem não tem cidadania da UE, do EEE ou da Suíça precisa, em regra, de um visto para trabalhar. O portal de vistos do Ministério dos Negócios Estrangeiros lista o visto de residência para trabalho subordinado e o visto para procura de trabalho qualificado. Para nacionais de um Estado em que esteja em vigor o Acordo de Mobilidade da CPLP, há um regime próprio de pedido de visto; confirme a situação do seu país e os documentos no portal de vistos antes de planejar a mudança.[1][6][7]
Erros comuns de brasileiros num CV para Portugal
- Manter o endereço completo com bairro e CEP em vez de cidade e país.
- Colocar CPF, RG ou, já em Portugal, o NIF no currículo.
- Misturar cursos livres e estágios com a graduação, sem um bloco de formação profissional.
- Traduzir o diploma por conta própria ("licenciado em…") sem ter o reconhecimento.
- Deixar as maiores realizações para a segunda página.
- Mandar uma carta longa quando um e-mail curto com o CV em anexo resolve.
Perguntas frequentes
- Preciso colocar foto no currículo para Portugal?
- Não é obrigatório, mas o EURES diz que em Portugal a inclusão de fotografia é muitas vezes valorizada, ao contrário da orientação comum no Brasil. Se incluir, use uma foto profissional e recente. O Código do Trabalho proíbe discriminação no acesso ao emprego por fatores como nacionalidade, origem e idade, então a foto nunca pode ser condição para a vaga.
- Coloco o NIF no currículo?
- Não. O NIF, o número de contribuinte português, é necessário para fazer contratos e abrir conta bancária, e qualquer pessoa, residente ou não, pode pedi-lo a qualquer momento. Mas não entra no currículo, assim como CPF e RG no Brasil.
- Meu bacharelado vale como licenciatura em Portugal?
- Só o reconhecimento responde a isso. O IES oferece três modalidades: automática, para graus de uma lista aprovada; de nível, que certifica por exemplo o nível de licenciado; e específica, numa área determinada, com análise por júri. Até lá, mantenha no CV o nome original do diploma e indique que o reconhecimento está em curso, se for o caso.
- Posso usar o mesmo currículo que uso no Brasil?
- A base sim, mas ajuste: cidade e país em vez de endereço, um bloco separado de formação profissional, vocabulário português (telemóvel, equipa, carta de condução) e, se fizer sentido, uma foto profissional.
- O currículo Europass serve para Portugal?
- Serve. O Europass é um editor gratuito da Comissão Europeia, disponível em 31 línguas, e ajuda se você também se candidata a outros países da UE. Veja quando vale a pena no guia do currículo Europass.
Fontes
As regras e recomendações citadas vêm destas páginas, que nós mesmos acessamos e lemos.
- [1]Condições de Vida e de Trabalho: Portugal · EURES, Comissão Europeiaeures.europa.eu/living-and-working/living-and-working-conditions-europe/living-and-working-conditions-portugal_pt ·
- [2]Preparar um currículo · Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalhoprefeitura.sp.gov.br/web/desenvolvimento/dicas/preparar_um_curriculo ·
- [3]Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), artigos 17.º, 24.º e 25.º · Procuradoria-Geral Regional de Lisboa, base de legislaçãowww.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=1047&tabela=leis ·
- [4]Reconhecimento de graus e diplomas estrangeiros · IES, Instituto para o Ensino Superior (antiga DGES)iesuperior.pt/reconhecimento/ ·
- [5]Pedir o Número de Identificação Fiscal (NIF) para pessoa singular · gov.pt (antigo ePortugal)www.gov.pt/servicos/pedir-o-numero-de-identificacao-fiscal-para-pessoa-singular ·
- [6]Tipo de visto: vistos nacionais · Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugalvistos.mne.gov.pt/pt/vistos-nacionais/informacao-geral/tipo-de-visto ·
- [7]CPLP: documentação instrutória · Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugalvistos.mne.gov.pt/pt/vistos-nacionais/documentacao-instrutoria/cplp ·
- [8]Como procurar emprego · IEFP, Instituto do Emprego e Formação Profissionalwww.iefp.pt/procurar-emprego ·
- [9]Sobre o Europass · Europass, Comissão Europeiaeuropass.europa.eu/pt/about-europass ·
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